Terça-feira, 30 de Novembro de 2010

Um concerto para os anais do Guimarães Jazz (2)

Dos eventos mais visitados pelos inveterados amadores que anualmente frequentam o Guimarães Jazz, as jam sessions realizadas todas as noites desde a abertura até ao encerramento do festival contam, em geral, com a participação de músicos estrangeiros convidados e vêm acrescentar-se a outras actividades paralelas, espalhadas por outros locais da cidade, como conferências, exposições, etc.  Entretanto, mais invisível dos espectadores que frequentam os concertos, é o workshop que, para além das jam sessions, esses músicos desenvolvem ao longo de dez dias, nas instalações do Centro Cultural Vila Flor, e que culminam com a apresentação de uma big band constituída por estudantes de jazz que nele participam.

 

Interessante é o facto de, ultimamente, esses workshops trazerem até nós, na sua direcção e orientação, músicos bastante jovens ainda não conhecidos da maioria dos amadores de jazz mas que, nalguns casos, constituem uma verdadeira e agradável surpresa, confirmável mais tarde em carreiras profissionais que se vão afirmando gradualmente.

 

Há dois anos, por exemplo, o já conhecido saxofonista norte-americano Marcus Strickland (hoje membro regular de um dos grupos do trompetista Dave Douglas)  trazia no seu quarteto  (participando no wokshop e num concerto)  um trompetista que começava a revelar-se e veio depois a confirmar-se como uma nova voz no seu instrumento: nada menos que Jason Palmer.

 

 

Este ano, os músicos convidados constituíam o quinteto The Story, um grupo internacional formado pelo britânico John Escreet (piano),  pelo holandês Lars Dietrich (sax-alto),  pelos canadianos Zack Lober (contrabaixo)  e Greg Ritchie (bateria)  e pelo norte-americano Samir Zarif (sax-tenor),  todos eles antigos colegas durante a sua formação académica na área do jazz e hoje radicados em Nova Iorque, formando vários grupos com diversas lideranças.

 

Ora os The Story constituíram, sem dúvida, também pelo prazer da descoberta, a supreendente abertura da segunda parte do 19º. Guimarães Jazz (que decorreu entre 17 e 20 de Novembro)  num concerto que me fez lamentar as minhas ausências das jam sessions nocturnas, já que admito tenham configurado algo de invulgar, precisamente porque esse concerto me revelou cinco músicos que dificilmente seria possível imaginar em jam sessions decorrendo em moldes tradicionais, ou seja, tendo por base repertório amplamente conhecido.

 

De facto, dando-nos a ouvir uma série de obras exigentes, bastante invulgares e mesmo avançadas em termos de composição, o quinteto The Story mostrou integrar as correntes mais actuais do jazz contemporâneo;  e, no plano individual, para além de uma técnica instrumental acima da média, todos os seus membros se revelaram improvisadores bastante inspirados na formulação dos seus discursos improvisativos.

Já conhecido dos meus ouvidos através do seu esplêndido álbum Don’t Fight The Inevitable, o pianista John Escreet confirmou a sua originalidade e uma via criativa que sabe aliar, de forma quer homogénea quer contrastante, a harmonização familiar e a articulação clássica, swingada e tradicional com a improvisação aleatória e incidental, embora o faça com grande rigor, determinação e infalibilidade, contrários portanto à mera utilização e abuso do puro acaso.  Neste sentido, sem atenuar a sua marca pessoal, percebe-se ao mesmo tempo no seu estilo a saudável influência que um dos seus mentores, o genial Jason Moran, nele terá exercido.

 

Os dois saxofonistas, Samir Zarif e Lars Dietrich (sobretudo este último),  demonstraram também como é possível ser diferente e inovador, mesmo numa linguagem expressiva só aparentemente reconhecível quanto ao formato do grupo mas esteticamente não seguidista, por obra e graça de uma associação tímbrica altamente diferenciada no cotejo com os habituais duos de saxofones dos quintetos de formação tradicional, pelo contraste sonoro, pela configuração das linhas melódicas respectivas e pelas relações  (aproximação, conjugação, afastamento)  dos intervalos daí resultantes.

 

 

Sendo Zack Lover, quanto a mim, menos brilhante do ponto de vista instrumental, já o seu compatriota Greg Ritchie, seguindo a via percussionista fragmentada  (mas implacável)  de um Dan Weiss, me pareceu um dos elementos influentes do quinteto, além do mais afirmando-se  (a exemplo dos restantes companheiros)  um excelente compositor.

 

Tudo isto contribuiu para tornar também diferente  (embora de forma alguma estranho)  um repertório que teve os seus pontos mais altos na erudição e na cadência “quadrada” de Regen Staat, na destruturação seccionada de Inner Tranformation, no “serialismo” de Bushwick to Baner, na familiaridade monkeana de Guru Tribute e no “minimalismo” reicheano de Binden Van Fenrir (?), o magnífico encore do concerto.

 

Depois desta muito agradável surpresa, seguir-se-ia na noite seguinte o segundo momento mais transcendente do Guimarães Jazz deste ano, um concerto admirável que representou um novo reencontro com a actual formação do quarteto de Charles Lloyd, o veterano saxofonista que muito admiro desde os tempos memoráveis em que, com Keith Jarrett, Cecil McBee e Jack DeJohnette, pela primeira vez o vi e ouvi, em 1966, no Luisiana Jazz Clube de Cascais  (de Luíz Villas-Boas e Jean-Pierre Gebler)  e na gravação de dois programas da série TV Jazz que, por essa ocasião, tive o prazer de produzir e apresentar na RTP.

 

Sempre evidenciando uma musicalidade transbordante e uma muito especial emoção espiritual na música que vive e nos faz viver, Lloyd vem refinando com o tempo uma linguagem pessoal muito expressiva que, constituindo embora uma clara continuação da mensagem musical de um incomparável Coltrane, adquiriu e encerra a particularidade de expressar uma consistência e uma genuinidade inegáveis que autorizam este constante paralelo, porque ultrapassam a mera postura de mimetismo.

 

 

Interessante é que esta característica do grande músico sempre se transmitiu de forma insinuante aos músicos que foram formando os seus grupos, independentemente da sua filiação estética de origem, o mesmo acontecendo com vultos de tão forte personalidade como hoje são Jason Moran (piano), Reuben Rogers (contrabaixo) e Eric Harland (bateria), os quais, por sua vez, tanto estimulam o saxofonista no seu sempre fascinante repertório.

 

Desta vez, pudemos apreciar intensamente a interacção dos quatro músicos, os desvios que cada um deles provocou e a sua individualidade criativa numa sequência imparável de peças, das quais me permito destacar a religiosidade tranquila e ao mesmo tempo a intensidade agitada do espiritual Go Down Moses, o classicismo-moderno de Monk’s Mood, a atmosfera obsessiva de Dream Weaver (com um solo grandioso e esmagador de Jason Moran)  e o recorte incomparável de I Fall In Love Too Easily.

 

Mais um concerto a recordar nos anais do Guimarães Jazz!

A presença na sexta-feira 19 do quinteto do pianista cubano Gonzalo Rubalcava veio confirmar a completa transformação operada, ao longo dos anos, no seu estilo pessoal, de início muito subjugado pelo virtuosismo impressionante  (mas, por vezes, estéril)  de que fazia alarde no arranque da sua carreira.

 

Agora, Rubalcaba está muito mais contido, incomparavelmente mais “musical” e menos tecnicista nas suas divagações improvisadas, para além de se afirmar como um compositor de mão cheia e um arranjador completo, dando-nos a ouvir um neo-hard-bop-de-raíz-latina, sem dúvida familiar nos timbres dos “sopros” mas inteiramente diverso em termos formais e de conjugação instrumental.

 

Representante importante da absorvente corrente afro-cubana do jazz actual, Rubalcaba e seus companheiros afastam-se dos exotismos óbvios e pleonásticos em que muitos caem, propondo-nos um jazz de extrema seriedade e, ao mesmo tempo, caloroso na sua emotividade, embora não carregando demasiado nas tintas e optando por uma controlada sobriedade.

 

No plano instrumental, para além da evidente qualidade do seu líder, sobressaem o fulgor e a invenção do trompetista Mike Rodriguez e do saxofonista Yosveny Terry (este também excelente compositor),  a interiorização da atmosfera e dos tempos latinos por parte de Matt Brewer (contrabaixo)  e a delicadeza dançante e apurada capacidade de explosão de Ernesto Simpson (bateria).

Presença já habitual no único concerto vespertino do festival foi a da Big Band da ESMAE (Porto),  no sábado 20, no Pequeno Auditório.  Apresentando um repertório de originais pelos membros do quinteto The Story, que a dirigiram na “prova final” do workshop realizado, a orquestra mostrou uma coesão apreciável e a emergêrcia de alguns solistas com perspectivas de continuidade futura.  Mas não deixou de ser interessante e curiosa a similitude de algum nervosismo e de um certo ar desajeitado demonstrado em palco tanto por esses jovens solistas como pelos mentores do workshop, eles próprios porventura experimentando os primeiros passos na arte de orquestrar para uma grande formação instrumental… Mais uma faceta simpática dos jovens componentes do The Story!

 

Por último, o Guimarães Jazz deste ano terminaria na noite desse mesmo sábado com a actuação do New York Composers Orchestra, uma orquestra de 13 músicos dirigida pelos teclistas e compositores Wayne Horvitz e Robin Holcomb e recheada de nomes mais ou menos conhecidos da cena downtown nova-iorquina, dos quais destaco Marty Ehrlich e Doug Yates (saxofones),  Tom Varner (trompa),  Ron Horton e Russ Johnson (trompetes),  Curtis Fowlkes (trombone),  Lindsey Horner (contrabaixo)  e Bobby Previte (bateria).

Não se tratando de uma orquestra de repertório  – pese embora a abertura do concerto com uma peça  (Prodigal Son Revisited, de Wayne Horvitz)  que muito soava à maneira da célebre e saudosa Concert Band de Gerry Mulligan –,  as obras tocadas inseriam-se em duas linhas principais de composição:  por um lado, o puro pastiche ou a revisitação satírica e distanciada de alguns “lugares-comuns” do jazz clássico, em todo o caso sorridentemente respeitosa quanto à tradição do jazz e por vezes tocada pela influência de compositores eruditos norte-americanos do século XX;  e, por outro lado, sobretudo no que toca às composições de Robin Holcomb, o afastamento deliberado, acrítico, inodoro e insonso de toda e qualquer aproximação ao jazz, sem que qualquer alternativa minimamente personalizada e estimulante essas peças tenham suscitado.

 

Daqui resultou um concerto irregular e de certo modo ambíguo, contraditório e fracamente assumido e convicto nos seus próprios conteúdos, por parte de um conjunto de músicos pouco ensaiado, tendo em conta a exigência de certas peças e a susceptibilidade de certas irreverências  (não completamente conseguidas ou transmitidas),  do qual apenas ressalto, como símbólico do que melhor ocorreu, M Variations, de Marty Ehrlich, na linha de um George Russell ou de um Bob Nieske, e Mele (Tom Varner), uma deliciosa evocação de Tin Pan Alley.

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Fotos: cortesia de A Oficina e © João Peixoto

 


Publicado por Manuel Jorge Veloso o_sitio_do_jazz às 18:32
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Músicos de jazz associam-se

 

É cada vez mais extensa a actividade do jazz a Norte do país bem como o surgimento de novos músicos, pequenos grupos e até de uma das melhores big bands portuguesas, progressos que têm vindo a desenvolver-se, sobretudo, na última década e meia mas que não podem deixar de ser fruto da carolice e da iniciativa anterior de pioneiros deste movimento.

 

 

 

 

Agora, surge uma nova associação, que se destina a reunir os músicos de jazz do Porto e que, brevemente, vai organizar um festival com a participação de uma dúzia de formações de dimensão diversa.  A boa nova chegou-me pela mão de um dos seus dinamizadores, vem assinada por três elementos da direcção  (Luís Eurico Costa, João Pedro Brandão e Susana Santos Silva)  e dou-vos conta dela, tal como a recebi:

 

“Teremos, nesta associação, como objectivo primordial promover o trabalho dos músicos do Porto nesta área desenvolvendo um "circuito" de Jazz num espaço e época em que a comunidade de músicos é já significativa e onde a maioria das instituições de ensino de música reflecte o crescente interesse da população nesta área. (...)"

Pretendemos  também ser um pólo de convergência de músicos desta área, portugueses e estrangeiros, que promova intercâmbios entre esses mesmos músicos.

Numa primeira fase o objectivo principal da associação é conseguir um espaço onde se possam organizar concertos regulares.  Este espaço não pretende concorrer com clubes ou salas de espectáculo já existentes, antes pelo contrário; pretende apenas criar um público sólido para este tipo de Música.  Para isso, os concertos serão feitos em horários alternativos (maioritariamente diurnos), não exigindo, ao mesmo tempo, grande investimento em tratamentos de isolamento acústico do próprio espaço.

Este espaço servirá também para organizarmos uma série de outras actividades ligadas à formação e sensibilização da população para esta área artística, nomeadamente workshops, conferências, audições comentadas e debates.

Para os músicos o espaço servirá, não só, para a realização de concertos, mas também como local de ensaios para o desenvolvimento de projectos experimentais e inovadores, nomeadamente em regime de residência, com a possibilidade de o resultado ser registado em suporte áudio-visual. (...)

A nossa actividade como associação não será limitada ao espaço físico da sua sede. Pretendemos organizar uma série de acções, fora desse mesmo espaço, de interacção com a cidade  e sua população (festivais, formação, entre outros).

A Associação disponibilizar-se-á como fonte de know-how para outras entidades que pretendam realizar actividades nesta área: organizar festivais, cursos de Jazz, etc.  (...)

 

Perante estes propósitos, O Sítio do Jazz só pode desejar que as coisas resultem como os seus dinamizadores pretendem.

 

 


Publicado por Manuel Jorge Veloso o_sitio_do_jazz às 17:35
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Segunda-feira, 29 de Novembro de 2010

Jazz no Inverno (10ª. edição)

 

 

Realiza-se nos próximos dias 3 e 4 de Dezembro, em Faro, a 10ª. Edição do festival Jazz no Inverno, como sempre organizado pela Associação Grémio das Músicas, dinamizada pelo contrabaixista e compositor Zé Eduardo.

 

 

Este ano, o festival constará de dois concertos e de um workshop:

 

3 Dezembro:
Cindy Blackman QuartetExplorations” (Wokshop)
16h00 - 19h00
Associação Recreativa e Cultural de Músicos, Faro

 

 

3 Dezembro:
Orquestra de Jazz de Lagos com o solita convidado Peter King (UK)
21h30
Grande Auditório Universidade Algarve, Campus Gambelas, Faro

4 Dezembro:
Cindy Blackman QuartetExplorations
21h30
Grande Auditório Universidade Algarve, Campus Gambelas, Faro

 

A baterista norte-americana Cindy Blackman tocará no festival com a seguinte formação:  Antoine Roney (sax-tenor);  Marc Cary (piano);  e Rashaan Carter (contrabaixo).

 


Publicado por Manuel Jorge Veloso o_sitio_do_jazz às 11:50
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Sexta-feira, 19 de Novembro de 2010

O momento transcendente do Guimarães Jazz 2010

 

 

 

Não sei se já vos contei alguma vez esta história.  Tive o cuidado de procurar nos arquivos mas acabei por não encontrar nenhuma referência anterior, pelo que ela aqui vai, tal como aconteceu há alguns anos.

 

Ao assistirmos entre nós a um conhecido festival de jazz, um velho amigo meu, desde sempre apaixonado pelo jazz mas em particular pelas correntes mainstream, após um concerto pelo trio do histórico e consensual Paul Motian, no qual a música tocada lhe pareceu cheia de “modernices”, virou-se para mim e sentenciou:  “é pá! Não posso com isto!  O problema é que eles sabem tocar... mas não querem!” Que é como quem diz:  terá achado estranho, esse meu velho amigo, como era possível que Motian, por todos nós conhecido do genial trio clássico-moderno de Bill Evans, agora tocasse aquela música tão “puxada”...  Ao que todos os que ouvimos tal desabafo nos desmanchámos a rir!

 

 

Apesar de em boa verdade não ter assistido ao concerto todo  (mas permitindo-me adivinhar o que depois se seguiu, ao ouvir os testemunhos de inteira confiança de quem a ele assistiu até ao fim),  o certo é que voltei a lembrar-me desta história ao aturar, penosamente, antes de “atirar a toalha” no final do terceiro número, aquele incessante matraquear de um drum’ n’ bass primário ou ao suportar os decibéis inflaccionados dos primeiros 40 minutos do concerto de Kenny Garrett com o seu quarteto  – um dos grupos que preenchiam o cartaz da primeira parte do Guimarães Jazz deste ano –  não porque algo de semelhante tenha acontecido em palco mas precisamente pelo contrário:  o espectáculo de demagogia, fogo-de-vista técnico e exotismos fáceis que o saxofonista e seus pares exibiram perante o público presente na sua actuação de 14 de Novembro no Grande Auditório do Centro Cultural Vila Flor, sempre jogando com a falsa aparência de uma pretensa afirmação de identidade mas no fundo impondo a vulgata de uma música popular urbana de extracção comercial ou então de uma world music de gosto duvidoso.

 

 

 

Para além da obsessão binária de um baterista primário, da inexistência de um apagado e mecânico baixista e da indigência de um teclista básico à altura da encomenda, sem dúvida que em algumas passagens da actuação pessoal de Kenny Garrett se tornaram evidentes as excepcionais qualidades instrumentais e a fogosa emotividade de um saxofonista de primeiro plano  (mas muito irregular trajecto)  no jazz das últimas duas décadas e meia.  Mas esses brevíssimos episódios mais pareciam fogachos involuntários em meio de uma estratégia de deliberada banalidade conceptual apenas destinada a arrancar fartos aplausos;  uma estratégia condicionada pelos rodriguinhos de uma encenação em que pouco importou a Garrett o desbaratamento do seu grande talento.  Por isso me lembrei da expressão daquele meu amigo, atrás citada, mas precisamente pelos motivos inversos.

 

 

Incomparavelmente transparente, sincera e traduzindo, sem golpes baixos, um momento de entertainment evocativo dos bons velhos tempos do Swing fora a actuação na véspera, a abrir o festival, de um grupo de músicos norte-americanos e europeus numa rara e partilhada homenagem à memória de Lionel Hampton, o primeiro grande vibrafonista da história do jazz, durante a qual foi crescendo a interacção dos vários músicos em palco, assim contagiando os espectadores da plateia na base de um ambiente de comunicação progressivamente genuíno.

 

Neste sentido, a presença comovente de um veterano como Red Holloway (sax-tenor),  cujo som evocava o peso da História, o carinho e a admiração que lhe eram tributados  (na própria compita da execução instrumental)  por companheiros de naipe alemães, a par do som impetuoso de Frank Lacy (trombone)  ou da espontânea exuberância histriónica de Jacey Falk (voz e apresentação)  acompanharam a evolução de um repertório repleto de êxitos do passado.

 

Entre estes, foram emergindo velhos clássicos instrumentais de Hampton, como Hamp’s Boogie, Air Mail Special, Central Avenue Breakdown, Sweet Hearts on Parade ou Flying Home, com evidência solística para Red Holloway e Lottar van Staa (saxofones –tenores),  Jesse Davis (sax–alto)  ou Markus Bartelt (sax–barítono)  e ainda Anders Bergkrantz e Ronald Baker (trompetes).  Isto sem esquecer o balanço metronómico de Martin Giakonovsky (contrabaixo), a verosimilhança de Jason Marsalis (vibrafone)  e a frescura e amplitude de uma voz feminina convidada  – a italiana Roberta Gambarini, uma das mais talentosas cantoras europeias do momento –  sensível e brilhante em Midnight Sun e Stardust e improvisando em desenvolto scat numa versão bem swingada de Sweet Georgia Brown.

 

Ainda antes de me deter naquele que já se tornou um dos mais impressionantes momentos de toda a história de 19 anos do Guimarães Jazz e dando um salto para o último concerto da primeira parte do festival, o jazz português contemporâneo não deixou, como sempre, de estar presente através do projecto T.O.A.P. (Tone of a Pitch)  que esta editora independente portuguesa todos os anos assegura em co-produção com os responsáveis do evento e que, também anualmente, dá origem a um disco a lançar no ano seguinte.

 

 

 

Desta vez, subiram ao palco representantes maiores de várias gerações do nosso jazz moderno  – Mário Laginha (piano e Fender Rhodes),  André Fernandes (guitarra),  Nelson Cascais (contrabaixo)  e  Marcos Cavaleiro (bateria) –  ainda convidando um talentoso e habitual frequentador da cena portuguesa:  o saxofonista britânico Julian Argüelles.

 

 

Propondo-nos um jazz contemporâneo marcado por grande abertura e invenção harmónica, sendo clara e identificável a personalidade própria das várias peças apresentadas, foram particularmente notadas a mobilidade rítmica e melódica de TOAPS (Laginha),  a juvenilidade ornetteana e irrequieta de Trialty (Argüelles),  o belíssimo recorte ternário de Mensagem ao Contrário (Cascais)  ou as típicas revoadas melódicas, tão portuguesas, de Outra Gaveta (Laginha),  embora, em geral, me tenha soado relativamente sombria e quiçá demasiado uniforme a atmosfera emocional subjacente ao concerto, com os músicos menos soltos do que em audições anteriores e ainda algo presos à partitura escrita.

 

Entretanto, o acontecimento transcendente do Guimarães Jazz 2010, tinha já ocorrido no sábado 13 de Novembro, com a actuação do  (assim chamado)  Saxophone Summitt de Ravi Coltrane, David Liebman e Joe Lovano, três saxofonistas  (os últimos dos quais multi-instrumentistas)  que formaram, em boa verdade, um sexteto uno e altamente coeso com o pianista Phil Markowitz, o contrabaixista Cecil McBee e o baterista Billy Hart, todos eles valores de primeiro plano e senhores de brilhantes carreiras no jazz norte-americano.

 

 

Ao contrário do que se esperava no Centro Cultural Vila Flor (e por certo na Culturgest,  que co-produziu este excepcional concerto),  foi uma verdadeira mas bem-aventurada surpresa a escolha de uma obra-prima de John Coltrane para preencher integralmente os concertos realizados pelo sexteto nessa noite em Guimarães e na noite seguinte em Lisboa  –  a suite Meditations gravada em 23 de Novembro de 1965, ou seja dois anos antes do seu prematuro desaparecimento, e que marcou uma última viragem num percurso criativo, riquíssimo e avassalador, que assim poderemos dividir:

 

–  o período clássico-moderno (1955-1959),  durante o qual foi o parceiro regular e de eleição de Miles Davis e episodicamente de Thelonius Monk, tendo culminado esta etapa estética com a edição de um álbum histórico em nome pessoal  (Giant Steps, Maio, 1959);

 

–  o  período modal (1960-1965),  iniciado com a gravação de My Favorite Things e que assistiu à formação do excepcional quarteto com McCoy Tyner (piano)  e Elvin Jones (bateria)  e se encerrou com a gravação de A Love Supreme, uma outra obra-prima;

 

–  e o período dito espiritual (o de mais livre, extensa e radical utilização da improvisação),  situado entre 1965 e 1967  (o ano da sua morte),  não apenas pela sucessão de composições que Coltrane incluiu nos seus discos e actuações e que transportavam consigo títulos como Peace on Earth, Attaining, Amen, Joy ou Ascension, mas ainda pela própria postura ascética e transcendental do grande músico.

 

Após uma primeira experiência com parte do mesmo material  (First Meditations, gravado em 02.09.65),  os grupos de Coltrane viram a manutenção do recém-chegado Pharoah Sanders no segundo saxofone e, com a partida de McCoy Tyner e Elvin Jones, a substituição deste último por Rashied Ali.  Foi esta formação instrumental de Coltrane que então viria a gravar  (23.11.65)  a versão definitiva da suite Meditations, subdividida nos seguintes quadros:  The Father and The Son and The Holly GhostCompassionLoveConsequences;  e Serenity.

 

 

Sendo certo que estes títulos traduzem, sem margem para dúvidas, o carácter espiritual desta obra  – confirmando, aliás, o pendor religioso da derradeira fase da carreira de John Coltrane, desde logo expresso nas liner notes que o saxofonista escrevera para a edição da já citada obra-prima anterior, A Love Supreme –  a materialização musical de Meditations constitui uma eventual contradição com esse carácter, pelo choque por vezes patente entre a não-tonalidade das harmonias de McCoy Tyner e a liberdade melódica amplamente dissonante  (mas, em muitos momentos, também modal)  da improvisação de Coltrane e Pharoah.  Mais ainda, o caos aleatório e a dureza sónica e tímbrica da gravação original resultante daquele encontro de Novembro, 1965, reforça sobremaneira o contraste entre o que, subjectivamente, esperaríamos de uma obra de génese espiritual e a violência tão terrena da música que a pretende evocar, um dos mais fascinantes e misteriosos aspectos de toda a peça.

 

 

A fabulosa versão que agora o Saxophone Summitt nos propôs em Guimarães  (aquela a que tive a felicidade de assistir),  não coarctando em nada a liberdade improvisativa individual de cada protagonista instrumental, pareceu reforçar o carácter espiritual e evocativo do seu Criador  – John Coltrane –  reforçando em várias passagens a linguagem tonal e de certo modo atenuando, aqui e ali, a já referida veemência sónica, sem que se perdesse, contudo, a fortíssima mensagem que nos foi proposta.

 

 

Sem dúvida em plano de destaque na direcção musical e na interpretação da mensagem deixada pelo grande músico, David Liebman fez um espantoso trabalho de descodificação desse legado, enquanto medium entre o sexteto e o ausente-sempre-presente Coltrane – mesmo no que toca à definição dos temas que, embora identificáveis formalmente no original, jamais terão sido vertidos, como tal, em partitura –  tal como o fizeram os outros dois membros do Summitt, Ravi Coltrane e Joe Lovano, suficientemente “apagados” para que a música do Mestre se tornasse o que mais importava mas claramente à altura do evento na inteligência, personalidade própria e criatividade com que nos devolveram esta grande música, em rasgos individuais e colectivos por vezes esmagadores.

 

O mesmo sucedeu, aliás, com os restantes membros do sexteto, aos quais foram atribuídas intervenções substanciais nas mais ou menos prolongadas introduções de cada um dos quadros da suite, com Phil Markowitz deliberadamente nos antípodas de McCoy Tyner, Cecil McBee transmitindo com a sua ampla sonoridade coesão ao colectivo e Billy Hart influente e polivalente nas transformações de atmosfera que percorreram toda a obra.

 

Numa palavra, um dos momentos mais inesquecíveis em toda a história do Guimarães Jazz.

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Fotos:  cortesia de A Oficina e © João Peixoto

 


Publicado por Manuel Jorge Veloso o_sitio_do_jazz às 16:50
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Domingo, 14 de Novembro de 2010

Ao vivo, no Village Vanguard, NY!

 

 

 

 

 

Durante as férias de O Sítio do Jazz, a WBGO / NPR transmitiu em directo do clube Village Vanguard, de Nova Iorque, três concertos de audição indispensável:  em 15.09.10, o quarteto da talentosa pianista canadiana Renee Rosnes (com Steve Nelson, Peter Washington e Lewis Nash),  em 06.10.10, a Bandwagon do pianista afro-americanoJason Moran, um dos mais influentes e originais dos nossos dias  (com Tarus Mateen e Nasheet Waits),  e em 03.11.10, o quarteto do histórico saxofonista-alto Lou Donaldson, um eterno “jovem”, hoje na casa dos 84 anos  (com Pat Bianchi, Randy Johnston e Fukushi Tainaka).

 

É com o maior prazer que aqui deixo disponíveis os respectivos links para a audição dos concertos  (é só clicar nos nomes dos músicos acima indicados)  faltando apenas sublinhar que pode ainda descarregar aqui um ficheiro MP3 do concerto de Jason Moran e guardá-lo no seu computador para ouvir quando quiser ou mesmo passá-lo para CD-R. (!!!)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Publicado por Manuel Jorge Veloso o_sitio_do_jazz às 16:09
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Sábado, 13 de Novembro de 2010

Mais uma bem sucedida edição do Seixal Jazz

 

 

Eu já devia conhecer-me um pouco melhor e já devia portanto calcular que, quando deixo para amanhã o que posso deixar de fazer hoje  (assim contrariando o avisado ditado popular),  quase sempre a coisa dá para o torto, porque invariavelmente surgem inevitáveis afazeres pelo meio, que vêm atrapalhar os planos antes traçados.

 

Foi o que aconteceu com esta crónica sobre o Seixal Jazz 2010 – festival de referência que anualmente decorre naquele laborioso concelho da margem Sul –  e que só hoje posso levar a bom termo, numa tarde cinzenta e chuvosa, já em Guimarães, onde anteontem começou a 19ª. edição do Guimarães Jazz.

 

Deixando para mais tarde esta nova cobertura de O Sítio do Jazz, regressemos então, com este indecente atraso, ao Seixal Jazz, para vos dar conta dos três concertos a que pude assistir, já que problemas de última hora me impediram também de estar presente no concerto de encerramento do festival.

 

 

Mesmo que a presença de Charlie Haden entre nós já não tenha, como dantes  (tanto em termos musicais como em termos cívicos e políticos),  a carga simbólica que, num passado felizmente distante, representou em termos de modernidade estética e ao mesmo tempo de solidariedade e agit-prop, o facto é que não pode ignorar-se a estatura deste mestre do contrabaixo, ao que se diz hoje insuportável nas esquisitices e exigências mas ainda e sempre inigualável na sua sonoridade instrumental e na sua qualidade de compositor, ambas presentes no seu concerto de 27 de Outubro.

 

É claro que o projecto que o grande músico há anos desenvolve na companhia dos músicos que trouxe consigo  – o chamado Quartet West, com Ernie Watts (sax-tenor),  Alan Broadbent (piano)  e Rodney Green (bateria) –  se presta à vivência de um repertório deliberadamente marcado pela nostalgia e pelo grande jazz clássico, tanto no que se refere às peças originais do próprio Haden, como aos standards do jazz.

 

E foi um pouco de tudo isto que Charlie Haden e seu companheiros nos deram a ouvir, numa noite agradável, repousada e preenchida com música familiar, desde temas notáveis do contrabaixista, como First Song e Hello My Lovely, até à obra-prima de Ornette Coleman, Lonely Woman, ou ao templado Blue in Green, um encore remetendo para Miles Davis.

 

Sem dúvida que uma palavra especial deve ir para o talento e sensibilidade de Alan Broadbent, especialmente em relevo na improvisação sobre First Song e no solo absoluto e impressionista  (à revelia do carácter do próprio tema!)  para Lonely Woman, apenas perturbado, perto do final, por uma desnecessária deriva rapsódica;  e para o swing poderoso de Rodney Green no agitado Today I am a Man, baseado sobre os acordes do célebre Confirmation (Charlie Parker, 1953).

 

 

Pelo seu lado, o esforçado Ernie Watts veio confirmar impressões já antigas acerca de uma certa vulgaridade criativa de que padece, por vezes escondida por um uso e abuso dos clichés, que pouco vêm adiantar ao quarteto em termos qualitativos, tornando por outro lado mecânica e meramente técnica a sua linguagem instrumental.  Já a presença inesperada de Melody Gardot (cantora com uma história pessoal invulgar),  casualmente de passagem por Lisboa e convidada por Haden para uma versão intimista e sensual de If I’m Lucky,  foi um momento de evocação das mulheres fatais que iluminavam o grande cinema norte-americano dos anos 40/50 do século passado, reforçando o simbolismo nostálgico desta noite de abertura do Seixal Jazz.

 

 

Seguiu-se, na 5ª. feira 28 de Outubro, mais um concerto pelo quinteto de Dave Holland, um outro mestre do contrabaixo cuja presença no Seixal, em diferentes contextos instrumentais, se torna um feliz hábito, isto porque é quase impossível que um concerto de Holland alguma vez desiluda.

 

Desta vez, fazendo de novo apelo à intensidade arrebatadora  (instrumental e emocional)  de Chris Potter nos saxofones tenor e soprano e Nate Smith na bateria, Holland não trouxe consigo particular novidade em termos de repertório, quase todo já conhecido dos seus últimos álbuns Pathways e Pass It On, mas fez questão de não deixar de parte os talentos composicionais dos restantes membros do quinteto.

 

Ficou assim claro que, para além da presença impressionante e catalizadora de Dave Holland, sem dúvida que todos os seus companheiros de palco são personalidades influentes neste grupo.  Mas julgo poder afirmar que, entre estes, me chamaram particularmente a atenção a boa forma e a imaginação fulgurante de Robin Eubanks (trombone),  em especial no que toca a How’s Never?, Ebb and Flow e Easy Did It, e a técnica percussiva e interventiva de Steve Nelson (vibrafone, marimba)  que, aliás, voltou a afirmar-se como um compositor exigente na sua própria peça Amator Silenti (já conhecida do álbum Critical Mass).  Mas em termos de conteúdo não podem esquecer-se ainda a evocação dramática de Nova Orleães, em Easy Did It, e também a modernidade a um tempo livre e estruturada de Shape Shifting (Chris Potter).

 

 

Para a terceira  (e para mim última)  noite do Seixal Jazz, 6ª. feira 29 de Outubro,  ficaria ainda reservado aquele que me pareceu ser, porque claramente acima das expectativas, o mais bem sucedido concerto do festival, a cargo do quarteto do saxofonista-alto e soprano Steve Wilson, com Frank Kimbrough (piano),  Jay Anderson (contrabaixo)  e Clarence Penn (bateria)  que musicalmente tão bem se conhecem enquanto secção rítmica da orquestra de Maria Schneider.  Não porque grandes novidades estéticas tenham resultado desta actuação mas porque, mesmo num terreno familiar, todos os músicos souberam ser insinuantes, influentes, inventivos e polivalentes.

 

Na realidade, todo o concerto foi sendo construído  – não necessariamente de forma premeditada mas ao sabor da evolução e das reviravoltas dos eventos musicais, como é sempre bom que aconteça no jazz –  numa atmosfera de crescente intensidade, arrojo e interacção entre os músicos em palco e entre estes e o público presente.  Mais ainda, a diversificação do repertório e das suas raízes estéticas e a consequente e genuina demonstração de uma sólida cultura jazzística vieram ajudar a transformar um concerto que porventura se destinava a ser mais um entre tantos outros da actual temporada num momento de especial conjugação de talentos e de criatividade, sendo notório que a própria movimentação gestual e física bem como os olhares e sorrisos trocados em palco traduziram também esses momentos de identificação criativa.

 

Um sinal evidente de que as coisas estavam a carburar e a caminhar no melhor sentido foi logo dado na terceira peça do concerto, uma natural conjugação de What Is This Thing Called Love (Cole Porter)  com as suas célebres paráfrases Hot House (Thad Dameron)  e  Subconcious Lee (Lee Konitz),  após a qual desfilaram, entre outras, uma tocante versão de The Peacocks (Jimmy Rowles),  com Steve Wilson a aproveitar do melhor modo a expressividade do sax-soprano, admiravelmente secundado por Frank Kimbrough, e uma prolongada medley de Phoenix (Jimmy Giuffre)  e  Jane (Ornette Coleman),  num crescendo gradual e num ambiente sofisticado fortemente contrastante com a transição entre os dois temas realizada em rubato e numa improvisação livre inteiramente adequada à introdução do original de Ornette.

_________________________________________

 

Fotos:

Charlie Haden Quartet West  --  cortesia Rosa Reis

Dave Holland Quintet e Steve Wilson Quartet  --  cortesia Seixal Jazz


 


 

Publicado por Manuel Jorge Veloso o_sitio_do_jazz às 15:58
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Segunda-feira, 8 de Novembro de 2010

Dave Douglas: o "making of" de "Spark of Being"

 

 

 

 

Fruto da colaboração entre o cineasta Bill Morrison e o trompetista Dave Douglas, nasceu Spark of Being, um projecto audiovisual que o trompetista apresentará com o seu grupo Keystone numa próxima digressão pela Europa e que passará amanhã pelo Porto  (Casa da Música, 09.11.10, 22:00, Sala Suggia),  pelo que vem a propósito aqui revelar o making of desse projecto  (ver em ecrã completo).

 

 

Em 2010, o trompetista e compositor Dave Douglas e o seu quinteto Keystone foram artistas-em-residência no Stanford’s Center for Computer Research in Music and Acoustics, onde gravaram o seu novo álbum, Spark of Being.  O projecto era parte de uma larga colaboração com o realizador Bill Morrison, para uma nova obra encomendada pelo Stanford Lively Arts and SiCa.

 

 

 

 


 

Publicado por Manuel Jorge Veloso o_sitio_do_jazz às 10:25
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